sábado, 21 de julho de 2012

MENSAGEM BÍBLICA: A IMPORTÂNCIA DO ESPINHO NA CARNE - PARTE 1


“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Coríntios 12.7-10).

Nesta passagem vemos que foi posto no apóstolo Paulo um espinho na carne. Há duas perguntas fundamentais acerca disso: Que espinho era esse? Por que foi posto esse espinho na carne do apóstolo?

Pouco se sabe sobre esse espinho. Paulo refere-se, figuradamente, a alguma experiência muito dolorosa, que não especifica. Pensa-se em alguma enfermidade (confere: Gálatas 4.13,14), porém pode ter-se tratado de outro tipo de sofrimento.

A palavra “espinho” comunica a idéia de dor, de aflição, de sofrimento, de humilhação, ou de enfermidades físicas, mas não a de tentação para pecar (confere: Gálatas 4.13,14).

Vemos que Paulo por três vezes pede para que Deus afastasse dele tal espinho, mas Deus não concede. Isso mostra que o espinho na carne foi necessário.

Sabemos que nada acontece por acaso na vida de um servo de Deus, logo o espinho na carne na vida de Paulo aconteceu por alguma razão. E qual foi à razão do espinho na carne?

Paulo responde: “... para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações... a fim de que não me exalte” (2 Coríntios 12.7). Aí está: o espinho na carne foi posto para que Paulo não se ensoberbecesse, e nem se exaltasse.

Mas, por qual motivo Paulo iria se ensoberbecer, se exaltar?

Em 2 Coríntios 12.1-6 encontramos a resposta.

O texto bíblico mostra que Paulo teve uma experiência espiritual profunda. Ele foi arrebatado até o terceiro Céu, “foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir” (2 Coríntios 12.2-4).

Ao ser arrebatado ao terceiro ao Céu, ao Paraíso, Paulo experimentou algo inexplicável, inexprimível, inefável, indizível, extraordinário, algo que se não pode dizer, algo que não pode se manifestar por palavras ou gestos; algo que não se pode dar a conhecer, a entender, a revelar; algo que não é permitido falar.

Devido à grandeza da revelação, Paulo poderia acabar se ensoberbecendo. Assim, o espinho na carne foi posto como uma barreira contra a alto-exaltação do apóstolo.

A alto-exaltação nasce a partir de certas experiências ou conhecimentos adquiridos; devido a algum talento, e até mesmo devido alguns dons espirituais.

A nossa natureza por ser falha, é natural que venhamos a nos ensoberbecer diante da grandeza das experiências espirituais.

Entretanto, a Bíblia alerta sobre o perigo da própria exaltação.

 Jesus sempre ensinou aos Seus discípulos que aquele que se exalta será humilhado, mas aquele que se humilha será exaltado (Mateus 23.1-12/ Lucas 18.9-14).

 “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes... Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tiago 4.6,10).

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1 Pedro 5.5).

Quando uma pessoa se alto exalta, ela se coloca numa posição acima dos demais. Ela se enche de si mesma. Torna-se uma pessoa arrogante. Querendo ser a dona da verdade, por se achar cheia de conhecimento e de sabedoria. Daí gera a soberba.

Qual resultado disso? A própria exaltação resulta em queda espiritual e no afastamento dos propósitos de Deus.

 Isso acontece porque o homem sem Deus não é nada, não passa de pó. Independentemente das experiências vividas, apesar de certos conhecimentos adquiridos, ninguém, diante de Deus, será melhor do que outro (confere: Provérbios 3.7/ Mateus 20.25-27/ Romanos 12.10,16/ Gálatas 5.26/ Filipenses 2.3).

A Palavra nos alerta que aquele que se julga sábio, “com efeito, não aprendeu ainda como convém saber” (1 Coríntios 8.2).

“Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana” (Gálatas 6.3).

Devemos ser humildes com relação ao que pensamos saber. Devemos ser humildes com relação ao que pensamos ser.

O caminho para que não venhamos a nos exaltar é nos humilhar diante de Deus e reconhecer que somente a Ele pertence toda a exaltação.

Quando Paulo foi arrebatado ao terceiro Céu, ele como ser humano poderia cair na tentação da soberba, devido à grandeza das revelações.

Paulo viu e ouviu palavras tão sublimes que nem poderia repetir. Obviamente tudo isso o colocaria numa posição muito mais relevante do que os demais apóstolos,  sobretudo do povo cristão.

Daí o espinho na carne serviu como um freio, para que ele não viesse a colidir com aquilo que poderia afastá-lo da presença de Deus. 

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